Mostrando postagens com marcador colunas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador colunas. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de setembro de 2008

Berlin 99


- Quase 10 anos depois e você continua deslumbrante.
Ouvir o sussurrar dessa língua pelas ruas. Sentir essa vibração hipnotizante que me acompanha desde menina foi como voltar ao colo de uma mãe, que ama e que ensina.
Cheguei em Berlim.
Lá, em uma idade que complicamos até mesmo o simples, eu e ela construímos e destruímos todos os ideais sociais e políticos de uma jovem curiosa.

XXXXXXXXXXXXXXX

Berlim é silencio. Parece que estamos dentro de um filme mudo. Todo o barulho fica pra trás e você alcança de novo o poder de escutar os pneus deslizando sobre o asfalto, os suspiros, as moedas nos bolsos alheios, a vida que acontece.
E por sensações como estas que a expressão de Berlim se torna completamente visual. Ela nos mostra todo um colorido e nos convida a nos disfarçar do que quisermos para viver um de nossos inúmeros personagens. E nada nem ninguém se sente no direito de nos lançar um olhar reprovador, afinal, cada um, cada um, e tudo é válido.
Antes da queda do muro, poucas pessoas se atreviam a continuar na parte ocidental da cidade já que esta era como uma ilha em meio ao comunismo. Os alemães migravam para outras regiões do país e a capital, que também era um ponto estratégico para os capitalistas, se encontrou ameaçada pela falta de população. Foi quando a Alemanha resolveu dar grandes incentivos para quem quisesse viver ali, um incentivo que se transformou em vida fácil e um grande laboratório para artistas de todas as áreas. O governo lhes sustentava e toda essa massa criativa se dedicava quase exclusivamente a aperfeiçoar seus dotes. Não é a toa que atualmente Berlim é considerada a principal capital cultural da Europa.
Até hoje as diferenças entre o que um dia foi Berlim ocidental e oriental são muito claras. A parte oriental possui inúmeros prédios onde se nota a presença da chamada ¨arquitetura comunista¨, com grandes áreas comuns, onde seus moradores desfrutavam de partes amplias que eram compartidas entre a comunidade. Hoje, esses prédios mais antigos e mais degradados possuem um preço mais acessível aos jovens que se iniciam na vida independente.
Por toda Berlim reina uma vida completamente urbana. E com isso não poderiam faltar os graffitis. Grupos de todas as partes do mundo já fizeram sua história entre as paredes coloridas da capital alemã, feita para todos os olhos, distribuídos por cada canto das ruas, que salta aos nossos sentidos. Entre os nomes e nomes pichados nas paredes, muitos desenhos contam como viveram os que participaram da dura história da cidade.

XXXXXXXXXXXXXXXXX

Acho que o povo alemão é um povo consciente. Consciente sobre as fraquezas humanas. E sem dúvida, uma delas é o esquecimento. O ser humano é esquecido por natureza. Depois de algum tempo nos esquecemos do mal que causamos, do que fizemos e do não fizemos. Esquecemos e voltamos a repetir os mesmos erros e causar novamente as mesmas dores. Um cachorro que core atrás do rabo e não percebe que gira e não sai do lugar.
Em nenhum lugar da cidade os alemães deixaram de lembrar todo o rastro cruel que o nazismo deixou. Em cada canto uma homenagem e as eternas desculpas aos judeus, homossexuais, ciganos e a todas as outras minorias cruelmente assassinadas naqueles tempos. Claro, o perdão não trás de volta a vida que perderam tantos e os traumas que carregam os que por algum motivo conseguiram escapar. Mas reconhecer e tentar mudar uma atitude é o primeiro passo para o renascimento de uma raça, crença e de cada pessoa. E isso também merece um reconhecimento. O povo alemão possui uma responsabilidade com o passado que não deixa a barbaridade ser esquecida pelo seu povo. Ela não pode ser esquecida como tantas outras insanidades feitas por nós, ela precisa ser lembrada para que nunca e em tempo algum algo assim possa voltar a acontecer.
Me pergunto quando será que vamos começar a nos desculpar por todo o preconceito, mortes e humilhação que fizemos passar os negros e os índios. Ou quando será que a China finalmente contará ao mundo toda a repressão que passa seu povo nos dias de hoje. Reconhecer é difícil e acredito que ter a coragem para confessar de peito aberto ao mundo que erramos é um mérito de poucos.

XXXXXXXXXXX

Fechei os olhos, nevava. No quarto só brilhava aquela luminária colorida, presente de um amigo.
- E agora Berlim, que faço com tudo isso?
Conta para eles. É o feitiço que vai com você. Aqui estão as armas para você virar o espelho de tudo que quiser.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Os seres imaginários de Edimburgo


Os mitos e histórias que rodeiam a capital escocesa

É verdade minha gente, eu acredito em duendes. E também na maior parte dos seres que habitam os chamados ¨bosques encantados¨. A pergunta nesse caso se torna outra: qual é então o lugar ideal para encontra essas criaturinhas? E por fim descobri a resposta: em Edimburgo. Vulcões inativos entre construções listadas como patrimônio mundial pela UNESCO. A paisagem confirma a origem dos personagens míticos e das milhares de histórias e contos do mundo fantástico.
A capital da Escócia traz uma atmosfera carregada pela dualidade entre seu medievalismo arquitetônico e seus habitantes, formados majoritariamente por jovens universitários.
Durante os meses de agosto e setembro também se torna sede do maior festival de artes do mundo, com cerca de 1900 apresentações distintas em mais de 250 pontos da cidade. O conhecido festival de Edimburgo, que teve sua primeira edição em 1947, une eventos independentes de diversos movimentos artísticos, como feiras de livros, pintura, premiações de longa e curta-metragem, dança, ópera, marionetes, performances teatrais entre outros.
A gaita de fole, instrumento típico da cultura do país, é tocada por todos os cantos. E para completar a estadia nos meses de primavera - verão é possível presenciar os comuns e imensos arco-íris que se foram pelas constantes chuvas, que ocorrem durante todo o ano. As poucas horas que o sol se esconde durante este período (as noites no verão duram apenas 5/6 horas) dão espaço para uma vida de festas e noitadas cheias de surpresas.
Mas foi um lugar, um pouco escondido da vida agitada da capital, que me chamou mais a atenção: o castelo de Yester ou Goblin Hall. Foram cerca de 30 minutos de carro, mais 20 a pé para nos encontrarmos em meio a um bosque que parecia ter saltado de um livro infantil, tamanha era seu colorido. Lá, quase engolido pela vegetação, estão as ruínas do misterioso castelo de Yester. Entramos na construção com um sorriso de orelha a orelha, buscando pistas dos conhecidos personagens. Mas o que acabou acontecendo foi que em pouco tempo nossa cara de beatitude se transformou em rostos apreensivos. Uma estranha sensação de curiosidade rodeada por uma inquietação nos fez explorar algumas partes das ruínas até chegar ao salão principal; que tivemos que abandonar pelos desabamentos que bloqueavam suas saídas. O que descobrimos depois foi que o local foi a residência do conhecido mago Giffard, um bruxo que realizava rituais de sacrifícios e torturas humanas e animais. Hoje, seguidores de tais crenças ainda se encontram pelas redondezas, passando noites na tentativa de conectar-se com tais entidades.
Depois de desvendar esse mistério, nossa história não podia terminar diferente: dentro de uma banheira de sal grosso para espantar as energias ruins. Mesmo os mais incrédulos resolveram optar pela limpeza seguindo o famoso ditado ¨no creo en las bruxas, pero que las hay, las hay¨!

sábado, 12 de julho de 2008

Um seqüestro simulado

Ou uma chibata? Você escolhe

Estou cada vez mais convencida do prazer absurdo que sentimos nós, seres humanos, ao viver situações de extremo stress psicológico, que chega na maior parte das vezes a uma busca quase sado-masoquista.

Era 9h30 da manhã quando a chefe de redação se aproximou da nossa mesa para dividir os temas do dia.— Você Carol, vai cobrir um sequestro simulado. E me estendeu a mão com uma folha com dados sobre o tema.Senti minha testa franzir o máximo possível. — Quê?Comecei a investigar de que raio se tratava isso. E descobri, para a minha surpresa, que um grupo de jovens de Barcelona havia organizado uma pequena empresa que oferecia ¨jogos e experiências psicológicas¨.Uma das ofertas dizia assim:
¨Alguma vez você já teve curiosidade de saber como é ser sequestrado?¨
Entrei em contato com o porta-voz do grupo e marcamos um encontro. O caso é que muitas pessoas procuravam o serviço destes jovens com o pedido de viver uma simulação, de preferência da forma mais realista possível, de um sequestro.
Depois dos devidos acordos, com papelada assinada por ambos e tudo, o grupo aparecia na casa, no trabalho ou nos horários livres do cliente e, um belo dia, lhe sequestravam. Pelo pacote completo, incluindo DVD com os piores momentos documentados (como as horas passadas em um cativeiro!) o jogo custa de 300 á 600 euros.
Uma das clientes, Montserrat, contou quando ela e uma amiga viram o anúncio, ¨queriamos saber como é que este grupo faria para simular uma situação dessas! Foi incrível e realmente senti muito medo... Algumas pessoas escolhem pular de para quedas e outras viver um sequestro. Por que não?¨, acrescentou.
O fato é que com tudo que passa no nosso país, esse jogo não podia deixar de me parecer uma grande brincadeira de mau gosto.
Enquanto Íngrid Betancourt é finalmente liberada pelas FARC, enquanto milhares de brasileiros sofrem o pesadelo de estar em poder de sequestradores, parece existir gente pagando para relembrar essa absurda maldade que um ser humano é capaz de fazer a outro.
Será que não existem coisas suficientemente ruins no mundo para que as pessoas deixem de torturar-se e passem a aproveitar o pouco tempo livre que lhes sobra em algo que lhes traga um prazer minimamente saudável? Com certeza os sado-masoquistas não assumidos estão felizes da possibilidade de aumentar a jornada laboral de 48 á 60 horas semanais. Ou talvez assim lhes sobre menos tempo para se chibatar durante os poucos momentos que estarão fora do trabalho.
O resultado da reportagem emitida foi como uma grande piada. O tom irônico (porque só através dele se podia falar sobre este tema) reinou na telinha espanhola, justo antes da noticia da morte de 41 pessoas por um ataque bomba no Afeganistão.
________________________________________


Era uma vez um homem que queria comprar um par de sapatos, porque os seus já estavam velhos demais. Um dia se levantou tranquilamente e se dirigiu até sua loja de calçados preferida, e pediu ao vendedor:
— Este sapato que esta na vitrine. Número 42, por favor.
O vendedor vendo que o pé do cliente parecia maior que o número que o próprio havia pedido respondeu com ar solidário:
— Este sapato é para o senhor? Porque vejo que seu número é o 43 ou até 44. O 42 ficará pequeno, com certeza...
O homem, irritado com o comentário do vendedor, lhe lançou um olhar fulminante e disse:
— Sim, o sapato é para mim e meu número é 42, tenho certeza disso. Por favor, você poderia pegar um na cor bege?
O vendedor, que tinha anos de experiencia vendendo sapatos, sabia que o pé do cliente não caberia em um 42. Depois de tentar insistir, em vão, na busca do modelo um tamanho maior, se dirigiu cabisbaixo até o estoque e trouxe o que o cliente havia pedido.Quando este colocou os sapatos, com os dedos encolhidos e que lhe apertavam como duas caixas pequenas, o vendedor respirou com ar de triunfo.
— O senhor quer que eu busque um 43 agora?
— Não. Estão perfeitos. Vou leva-los.
Sem entender nada, o vendedor preparou a nota e o homem se foi, caminhando de forma desajeitada e um pouco manco pelo sapatos extremamente apertados. Caminhou até seu trabalho e de lá caminhou também até seus clientes, que por sorte estavam há apenas 10 minutos de seu escritório. A cada passo, o homem se encurvava mais e caminhava mais torcido e de uma forma mais incomoda.
No final do dia, quando abriu a porta de casa, o homem sorriu, sentou no sofá e, como parte de um ritual intimo, tirou calmamente os sapatos. Seu rosto se transformou. E com uma expressão de plenitude cósmica, esticou os dedos e o corpo pelo sofá. Como quem diz um pensamento em voz alta, o homem resmungou a sua esposa que entrava na sala naquele momento:
— Ai Sandra, se não fossem esses sapatos apertados que me ocuparam os pensamentos durante todo o dia, como poderia sentir agora essa sensação inexplicável de prazer?
A mulher assentiu com a cabeça.

Caminho de Santiago


¨Agradeço por mais um dia, por mais uma vida que começa¨


Eu era pequena e me lembro de ver mina mãe folhear com empenho alguns livros sobre o caminho de Santiago, na Espanha. A trilha, que pode chegar a mais de 800 quilômetros dependendo do ponto de partida escolhido, é feita por peregrinos de todo o mundo desde os primórdios do século XI. A caminhada já foi feito por muitos cristãos para cultuar as relíquias do apostolo Santiago. Mas nos dias de hoje, não é só esse grupo que realiza a peregrinação. Uma grande parte dos que se vê com a mochila e o cajado são de outras crenças, com o objetivo de uma reflexão interior, um renascimento que acontece gradativamente durante cada passo e cada pedra que se atravessa.
Muitos símbolos identificam aos peregrinos. Como o ramo da palma nos revela quem são aqueles que fizeram a peregrinação a Jerusalém, por exemplo, a concha de Santiago, ou verena, é um dos principais símbolos de renascimento dos que caminham pelas trilhas até seu ponto final, a capital da Galícia. Outra importante marca é a da cruz de Santiago, muitas vezes desenhada em cima das próprias conchas, que representa proteção para que os peregrinos cheguem a salvo á seu destino.
O interesse de minha mãe por esta peregrinação foi aumentando durante os anos, a ponto de fazê-la começar um disciplinado treino com botas especiais para andar os tantos quilômetros necessários. Mas a vida lhe reservava outros planos naquele momento, que fizeram com que ela deixasse esta viagem para seguir por outros caminhos.
Alguns anos depois com o tema já frio e distante era eu que vinha para estes lados. O ano de 2008 chegou e eu buscava paz e algo que me servisse como um divisor de águas, algum lugar onde eu pudesse me conectar comigo e com Deus. Foi ai que Santiago de Compostela voltou. Obviamente não tinha os cerca de 40 dias para caminhar tantos quilômetros, e acabei negociando minhas férias em cinco preciosas noites. Como acompanhante ninguém melhor que ela, minha amiga, minha cúmplice, minha mãe, que por ironia do destino também buscava algo que marcasse um novo período que começava em sua vida. Pegamos os últimos seis dias do caminho antes da chegada ao chamado Morro do Gozo, na entrada da cidade sagrada. Para encontrar as trilhas seguíamos as flechas amarelas sinalizadas com conchas esculpidas em pedras de séculos atrás. Era como um mapa do tesouro. Se seguia as indicações feitas por outros antigos peregrinos que levavam a nós e aos outros tantos aos lugares mais inimagináveis, a beira de paisagens, vistas, repletas de cheiros e de um silencio que só é cortado pelo barulho de grilos e pássaros que deslizam sobre o céu ou mesmo por nossos próprios passos.
Os peregrinos se cumprimentam pelas trilhas e se encontram no final do dia nas casas rurais ou em Albergues especiais, onde a maior parte das pessoas que realizam o caminho pernoitam. Ao acordar, um farto café da manhã com tudo de mais caseiro e simples. E, adiante a caminhar.
Cada povo inicia a trilha de acordo com sua história. Os portugueses começam a peregrinação na própria Lisboa. Os ingleses na cidade de Ferrol , na Galícia, já que conta a lenda que seus antepassados atravessavam o mar para chegar a Ferrol e, de ali, caminhavam a Santiago. Os espanhóis iniciam dos diferentes pontos de seu país, dependendo da sua região de origem ou com a qual se identificam. Os franceses também marcam seu ponto de inicio na própria França. Desde suas respectivas cidades começam a peregrinação, que se unifica na fronteira com a Espanha e segue unido até a cidade.
A chegada a Santiago de Compostela é feita pelo o Monte do Gozo, onde se avista toda a cidade, incluindo a Catedral principal. É nessa construção românica onde se encontra o túmulo do Apóstolo Santiago. Pelas manhas é feita uma missa em homenagem aos peregrinos e uma oração para que se cumpra os objetivos que os trouxeram até lá. Também é na praça central onde está simbolizada os quatro poderes da Galícia e de sua capital Santiago: A fé, representada pela igreja; o governo, que está justo em frente a Catedral; O parador dos Réis Católicos, um antigo dependência de peregrinos, onde hoje funciona um hotel, representando os visitantes de Santiago; e a Universidade, representando a educação, já que de seus 90 mil habitantes, 30 mil são estudantes universitários e de pós-graduação.
Para os peregrinos que chegavam de bicicleta, a cavalo, a pé ou mesmo de carro, a emoção parecia ser a mesma. No alto do Monte do Gozo todos se abraçam, tiram fotos, riem e choram. Cada viajante também vai até a pequena capela do morro para assim pegar o último carimbo de seu passaporte de peregrino e dirigir-se a Igreja, onde poderão receber seus certificados em forma de pergaminho.
Como disse Gabriel Garcia Márquez, "los seres no nacen para siempre el día en que sus madres los alumbran, sino que la vida los obliga otra vez y muchas veces a parirse a si mismo". E nesse dia minha mãe e eu renascemos, e dessa vez juntas.

ARCO


A maior feira de arte contemporânea espanhola mostra as cores do Brasil


A luz do cenário da arte contemporânea em Madrid era verde-amarela. A primeira das grandes feiras internacionais de 2008 colocou o Brasil como bola da vez no circuito artístico, trazendo a desenvoltura criativa nata do nosso povo para todos os lados.
Eram cerca de 250 galerias de 30 países do mundo. A variedade de obras só chegava perto da pluralidade que se podia ver pelos corredores dos pavilhões. Foram mais de 190 mil pessoas que visitaram a Feria de Madrid, a nova sede do evento. E para sua abertura oficial foram recebidos os Reis da Espanha Juan Carlos e Sofia, que percorreram a área reservada para o Brasil pelas mãos de ninguém menos que nosso ministro da cultura Gilberto Gil, personagem ideal para apresentar a arte brasileira.
Foram pinturas, esculturas, instalações, fotografias e vídeos. O interessante desse tipo de feira é a enorme variação de preços e composições. Este ano as obras iam desde 25 euros até 25 milhões, com quadros de Miró e seus companheiros vanguardistas e de artistas que acabaram de sair do forno. A curadoria brasileira foi escolhida a pente fino, no qual ficou Moacir dos Anjos e Paulo Sergio Duarte que selecionaram mais de cem artistas de 32 galerias de todo o território, entre elas: Galeria Vermelho, Luisa Strina, Leme, Brito Cimino, Fortes Vilaça, Mendes Bahia, entre outras.
Mas infelizmente toda a crise que enfrenta o mercado nacional e internacional não deixou com que o balance final dos quatros dias de feira surpreendesse muito as expectativas de seus organizadores. ¨Os colecionadores compraram bastante para um ano de tantas crise financeiras¨, comentou Lourdes Fernandez, diretora da Arco. Mas o resultado, que em vendas foi equivalente ao do ano passado, agregou muito em contatos e trocas para os artistas e galeristas internacionais.
E todo esse movimento já despertou a demanda por mais exposições de brasileiros em galerias européias e norte americanas, o que é um bom passo para nossa nova leva de criadores.
O fim da ARCO marcou o inicio das inúmeras bienais e feiras, como a Art Basel em Miami, Frieze Art Fair de Londres o el Armory Show de Nueva York que lançarão suas apostas aos novos e já reverenciados artistas da cena contemporânea. E enquanto isso, para os organizadores da feira espanhola já é hora de começar os planos para a próxima edição de 2009, que trará Índia para o tapete vermelho.

Mama Afrika


A voz de Miriam Makeba invade o Palau da Musica Catalã


Ela lutou pelos direitos humanos e em contra ao avassalador regime do apartheid. Nos anos 60, ganhou popularidade com o documentário Come Back, Afrika , apresentado no Festival Internacional de Cinema de Veneza, que mostrava ao mundo a discriminação racial transformada em lei na África do Sul. Apelidada de ¨Mama Afrika¨ a cantora Miriam Makeba tornou-se um ícone da luta pela igualdade e da musica africana.
Não existe pessoa que não conheça seu estrondoso hit Pata Pata, marco de geração 60 e referencia para os criadores da MPB brasileira ( vejam no youtube, vale a pena!). Hoje, aos 75 anos, Miriam resolveu deixar o palco. Mas não antes de realizar um ultimo tour mundial, com uma majestosa parada em Barcelona, no Palau da Musica Catalã.
A escolha do local também não foi à toa. O palacete, situado no centro da cidade, foi reconhecido como uma das 10 maravilhas da Catalunha além de ser símbolo da arte modernista espanhola. Uma obra de vitrais de grande luz natural, de tirar o chapéu.
O que mais me impressionou na apresentação foram as interpretações de Makeba com ruídos feitos pela boca e nariz, como se saíssem instrumentos junto com sua voz. Eram respirações altas intercaladas de gritos ritmados que acompanhavam as músicas, e que renderam muitos aplausos.
E sobre ela não faltam histórias e atos memoráveis. Por causa de suas continuas reivindicações que repercutiram com grande força na Europa, a cantora sul-africana acabou sendo proibida pelo governo de voltar a seu país. Makeba só conseguiu permissão para regressar anos depois com o fim do apartheid em 1990, quando foi recebida pelo então presidente Nelson Mandela. Lembro-me quando fui à cidade Natal de Makeba, a bonita Joanesburgo. Meu pai, que foi piloto por vários anos, conseguia muitas vezes descontos extraordinários, que me levaram até lá em 97, anos depois do fim da luta racial. Tenho memórias de ver ainda nessa época homens brancos caminhando com cassetetes para proteger-se dos classificados pelo regime de não-brancos. Hoje penso se essa explicação, dada por um que nos acompanhava, realmente era verdadeira. De qualquer forma era obvio a presença de um ainda preconceito racial muito forte e de uma magoa vinda do povo negro, totalmente justificada.
¨Não nos esquecemos de onde viemos e da toda a nossa história¨, disse Makeba ao fim da apresentação. Quase junto com a frase saíram do publico muitos assovios e gritos de apoio. Sim, é verdade. Tudo que acontece, de bom e ruim, fica marcado de uma certa forma, como uma digital dentro de nós. Bom mesmo seria se pudéssemos selecionar o que fica ou não para sempre conosco.

Os Gêmeos, Nunca, Nina e os bastidores do Graffiti


A arte brasileira nas paredes do castelo escocês do século XIII

Difícil descrever o que foi participar de um projeto como esse. Além da conexão natural e familiar que tenho com a Escócia – meu sobrenome Ralston é de origem escocesa, mais especificamente de Glasgow – o lugar transborda inspiração. Tudo que se pode relacionar com um verdadeiro conto de fadas se materializou no castelo de Kelburn e na arte lúdica de quatro mitos do graffiti: Nina, Nunca e a dupla pioneira da cena brasileira: Os Gêmeos.

O projeto foi idealizado por Camilla Wegener, e Alice e David Boyle, filhos do Lord of Glasgow que ainda vive no castelo. Por essa e por outras razões, Kelburn não é um castelo morto como os que se costuma visitar pela Europa. Ele está vivo, habitado e cheio de histórias que pulsam por todos os seus cômodos e nos olhos daqueles que ainda o habitam. Inicialmente, convencer o Conde e a conservadora Grã-Bretanha de um projeto tão inovador parecia uma tarefa difícil. Mas o que realmente aconteceu foi que tudo foi aprovado com a maior rapidez dando início à obra e ao sonho dos admiradores da arte de rua.“O graffiti é uma das mais fantásticas formas da arte contemporânea. Ele interage com todos e muda o cenário e o dia-a dia das pessoas que passam por ele. Os Gêmeos, Nina e Nunca trazem a cultura que queríamos estampar num lugar como esse. Suas pinturas encaixam completamente com o castelo”, contou David Boyle.

Construído em 1200 a beira mar, Kelburn é considerado um dos monumentos históricos mais antigos da Escócia. A representação do poder monárquico é rodeada de quedas d’águas, esculturas, bosques, animais, e paisagens naturais inacreditáveis. Entre elas, duas árvores reconhecidas pela comissão florestal por terem sido plantadas há mil anos no local, e por isso mais antigas na região que o próprio castelo.

Éramos em mais de 20 pessoas hospedadas na construção medieval, vivendo dentro de uma bolha. Consumíamos uns aos outros e misturávamos o melhor de cada um dentro de um liquidificador. O resultado? Magia pura! Por idéias em comum que ultrapassavam os motivos pelos quais tudo começou, foi construída uma amizade e uma sinergia que trouxeram momentos inesquecíveis, grandes viagens, festas e muito trabalho aos residentes da querida bolha. O mix entre uma arte tão urbana dentro de uma paisagem tão medieval atraiu milhares de pessoas, incluindo fãs do quarteto espalhados pelos quatro cantos do mundo, e que acompanham a trajetória internacional dos mesmos. “Para sair do caos da cidade de são Paulo, acabamos criando um mundo nosso. Pintar é uma outra realidade, é algo que está dentro da nossa cabeça, que a gente sonha. Fazer um trabalho num lugar como esse é viver um mundo que existe na nossa imaginação. Toda a história de Kelburn e a natureza fresca que o rodeia resgata esse nosso lado, o lado da fantasia que é muito presente na nossa arte. Tudo está em completa harmonia”, conta a dupla Gustavo e Otávio.

Patrocinadores e gente interessada não faltaram. A marca espanhola Montana, especializada em sprays para graffiti, bancou a produção em grande estilo. Para quem estiver nos arredores de Barcelona, vale a pena conferir as paredes da fábrica, também pintadas pelos artistas brasileiros. Genial!Como tudo que é bom dura pouco, o projeto de um mês chegou ao fim, recheado de boas recordações. E quem acha que esses grafiteiros deixaram os caminhos da Europa por algum tempo, estão muito enganados. O artista Nunca segue com exposições na França e trabalhos pela Espanha, Nina passa por alguns projetos no Brasil e retorna ao velho continente dentro de um mês. A dupla Os Gêmeos embarca para Barcelona em algumas semanas.

E para os paulistanos, boa notícia. A Galeria Fortes Vilaça fará uma nova amostra dos criadores do famoso boneco amarelo. Em julho, desenhos que formam a base do trabalho da dupla em suas distintas fases estarão expostos na galeria da Vila Madalena.

Um pouco sobre os artistas:

Os Gêmeos
Nascidos em 1974 na região central de São Paulo, os gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo são pioneiros na cena brasileira do graffiti. Donos de um estilo extremamente singular e reconhecível, os artistas já possuem grande reconhecimento internacional tanto pela arte de rua quanto por pinturas em tela, instalações, e esculturas - que misturam vários tipos de materiais como lantejoulas, azulejos, alumínio, bolas de gude, entre outros. Seus trabalhos estão espalhados pelo mundo inteiro, como São Francisco, Nova York, Europa, Ásia e América Latina.


Nina
Nina Pandolfo é uma das poucas figuras femininas com real importância no mundo do graffiti. Nascida em 1977 em São Paulo, realiza trabalhos no Brasil e em muitos outros países desde 1992. Suas criações são caracterizadas por meninas de olhos grandes e redondos, além de animais e símbolos da natureza, com uma abordagem ingênua e divertida.


Nunca
Aos 24 anos, o artista conhecido pelo pseudônimo de Nunca é identificado por seus traços geométricos e por seus desenhos de personagens indígenas, com referências à cultura brasileira e sul-americana. Alguns de seus trabalhos encontram-se na Espanha, Grécia, França e América Latina, entre outros.

Viagem de carro pelo País Basco



Tudo começa colocando Espanha e França em um liquidificador.
Dessa união nasce um pedaço de terra encantado, com uma língua diferente e um povo com qualidades de ambos. Possível? Sim, e seu nome é Pais Basco.
Para quem fica receoso por sua fama em função do grupo separatista ETA (Pátria Basca e Liberdade), pode ficar sossegado. A paz reina nos quatro cantos da comunidade autônoma espanhola, como em poucos lugares do mundo.
Sugestão: alugue um carro ou pegue carona com um bom amigo que more nas redondezas. O carro será a casa móvel de vocês.
O roteiro fica ainda mais interessante se feito em um bar ou café, colocando na ponta do lápis o nome de qualquer cidade da costa Basca. Não existe lugar que não valha a pena ser visitado na região, então a rota pode ser traçada por afinidade de nomes ou por alguma indicação, especialmente aquelas que chegam de conhecidos feitos pelo próprio trajeto. Para quem acha tudo isso um pouco arriscado, aqui vai o meu roteiro:
Tudo começou em um café no bairro de Gracia em Barcelona. Eu e uma grande amiga da Letônia decidimos que seria o País Basco nosso próximo alvo. Ela carregava um mapa na bolsa - moça prevenida - e naquele momento decidimos nosso primeiro destino: o povoado de Hondarribia.
Ai está o primeiro lugar que não se pode deixar de visitar. A cidade parece ter sido desenhada por algum artista talentoso da época medieval. De lá, pegamos um barco de pescadores, com o qual se pode cruzar para a costa francesa.
O interessante é passar o dia em Hendaye (França), uma praia de quase quatro quilômetros. Em dois desses quatro quilômetros é permitido tirar o biquíni e ser feliz. Mar transparente, areia branca e fina, uma região muito verde, além desta parte nudista/naturista, que atrai pessoas de todas as tribos. Você pode dormir em pensões, para quem deseja uma trip mais econômica, ou em pequenos hotéis, que são um verdadeiro charme.
Deixando Hondarribia pela manhã, visitamos o povoado de Irun – não tão interessante – e nos dirigimos à fantástica San Sebastián, conhecida como Donostia na língua local, o Euskera. A cidade mais conhecida do País Basco não leva a fama por acaso. O lugar é realmente único. Valem duas noites por lá, conhecendo as praias de Ondarreta, La Concha e Zuriola, além da parte antiga da cidade, que conta com a maravilhosa catedral do Buen Pastor e o museu de Chillida-Leku. A noite de Donostia acontece na parte antiga, cheia de bares, Sidrerias – onde se pode comer bem com pouco dinheiro e ainda levar uma garrafa de Sidra – ou na própria rua, em meio à música local que é divertidíssima.
De lá, o tempo em cada povoado dependerá da disponibilidade dos aventureiros.

Zumaia: muito turístico e conhecido por sua parte histórica. Vale a pena passar uma hora por lá e ticar da sua lista.
Ondarroa: dispensável. Não caia no conto de Ondorroa.
Lekeito: essa sim é ponto obrigatório. A minúscula cidade de pescadores é super acolhedora, além de contar com uma praia lindíssima e algumas pequenas ilhas ao redor.
Bermeo: a praia é conhecida por suas águas cristalinas, mas não é um lugar necessário. Até porque sua fama é bem maior do que o real encanto do lugar.
Bakio: cidade de veraneio dos bascos. Durante a temporada é um lugar interessante, mas o que vale mesmo é a pequena estrada até lá, cheia de vistas incríveis, florestas e bosques.
Gernika: lindíssima. Gernika é uma das cidades mais importantes para o povo basco, mas, mesmo assim, poucos turistas chegam até lá. A energia do lugar é algo impressionante, com muitos parques e natureza fresca. Não deixe de visitar a Gernikako Albola e o Europa Herrien Parkea. De preferência, pergunte a algum pessoa local sobre a importância desses dois lugares. Além de uma aula de história é capaz de você encontrar uma companhia interessante para uma boa taça de vinho.
Aviso: escolha com carinho seu acompanhante de viagem. Aproveitar os momentos no carro com vistas de dar água na boca é importantíssimo.
Entre os povoados vale a pena parar em Urdaibai, declarada reservada da biosfera pela UNESCO em 1984. Em Itziar, não deixe de conferir a vista do mar Cantábrico.
E chegamos à última parada, Bilbao. A quinta cidade mais populosa da Espanha, e a maior do País Basco, nos lembra nossa velha e querida São Paulo, se esta tivesse nascido na Europa. Deixando claro de que a observação é um grande elogio, já que sou fã do caos paulistano e da vida 24h que esta nos proporciona.
Mas a minha ida a Bilbao levava um motivo especial: visitar um de meus sonhos como aficionada, o Museu Guggenheim.
Construído pelo arquiteto canadense Frank Gehry, o Guggenheim é um verdadeiro espetáculo para os olhos. Sua coleção permanente conta com uma escultura de Richard Serra - La Materia del Tiempo - onde o visitante pode caminhar por entre as curvas e becos criados pelo artista. Incrível! Também não saem de lá as obras de Jenny Holzer, Louise Bourgeois, Laskano e Koldobica Jauregi, igualmente gênios. Nossa sorte foi conseguir chegar a tempo para a exposição de Palazuelo e Kiefer, que ficará por lá até setembro.
Agora o caminho da roça vai realmente depender de onde o dever te chama. Eu e minha querida amiga regressamos a saudosa Catalunya, e a nossa vida a lá albergue espanhol, cheia de fotos, amigos e histórias novas pra contar.
Afinal, é disso que a vida é feita, não? De momentos inesquecíveis como estes.

domingo, 29 de junho de 2008

Ibiza


Começa a temporada da ilha da fantasia

Vou confessar que depois de tantos depoimentos sobre Ibiza a vontade de conhecer a famosa ilha tinha passado, dando lugar até a uma certa implicância. Cada visitante com uma história mais esquisita que a outra, ou até apresentando um quadro de amnésia crônica da temporada.
Mas, com certeza, existem lugares que precisamos ir, até para poder falar mal. E é ai que mora o perigo.
O triângulo das bermudas de muitos é sim um lugar esplêndido em toda a sua extensão. Não, as pessoas não estão exagerando. E sim, vale pensar começar a economizar para ir ver com os próprios olhos porque Ibiza leva a tantos anos tal fama.
A comunidade autônoma situada nas Ilhas Baleares é a capital da festa e da liberdade, seja quem ou o que você for. E, por incrível que pareça, se seus planos são levar a família, também acertou o destino, já que Ibiza conta com muitos restaurantes e praias pouco freqüentadas e com água cristalina.
A ilha é rodeada de paisagens exuberantes, cheias de pessoas bonitas e praias para se descobrir. E pode esquecer o biquíni e a sunga em casa se quiser. Em todas elas o número de nudistas é minimamente o dobro maior dos que se atrevem a colocar, ao menos, a parte de baixo do conjunto.
Como primeira parada sugiro minha favorita, Punta Galera. Há alguns minutos do povoado de Sant Antoni de Portmany, a praia é composta por rochas e rodeada pela mais transparente costa mediterrânea. Um lugar ótimo para fazer mergulho de snorkeling e expedições aos esconderijos entre as numerosas covas. Além de fotos dos mais diferentes animaizinhos marinhos e plantas.
Por lá também estão Cala Bassa e Cala Comte. Ambas lindas envoltas em um clima de descontração e mar azul. Em torno das 21h30, grande parte da ilha se dirige aos conhecidos Café del Mar e Kumara para assistir ao pôr-do-sol. O primeiro, já consagrado por muitos, atrai gente bonita para todos os gostos que apreciam o entardecer nas pedras ou nos bares, banhados por uma música lounge ou house e bons drinks. O segundo carrega uma alma mais anos 70, igualmente ou até mais encantadora.
Já na costa sul está a praia de Salinas. Seguindo um conselho de um bom amigo fomos diretamente ao canto direito, onde está o famoso bar Satrinxa, repleto de personagens únicos. O dia por lá nos rendeu um grande encontro com o mito da moda Giorgio Armani e outras figuras do meio fashion. Interessante é passear pelas praias ainda mais a direita do bar. São pequenas e com algumas esculturas em pedras extremamente criativas e naturais, feitas por desconhecidos ou artistas da própria região balear.
Passemos a segunda parte das atrações.A agitada ilha conta com as consideradas melhores boates do mundo. O que se pode perceber ao entrar em qualquer uma delas é que foram feitas por quem realmente entende do assunto. Abrigam vários ambientes e apresentações das mais sedutoras, um show de imaginação. Transbordando sex apil estão as idolatradas Pacha, que comemora 40 anos em 2007, Privilege, eleita pelo Guinness a maior boate do mundo e Amnésia com after-hour das 8h ás 14h confirmado na Space, que chegou a ganhar inúmeros prêmios, entre eles a de melhor danceteria do mundo no Dancestar Awards por sua conhecida e tradicional festa We love Sundays.
Para recolher flyers e convites a turma do barulho passa em geral pela praia da Bossa, que ao meu ver deixa muito a desejar. Por lá estão alguns chiringuitos, como Bora Bora, e muitos praticantes de malabares.
No centro de Ibiza está o castelo, rodeado por uma muralha, formando a parte antiga da cidade. Ali estão alguns dos melhores restaurantes e bares, além de lojinhas e pontos de vendas de entradas para as boates.
O último dia foi dedicado a ilha de Formentera. Esta e Ibiza constituem as ilhas Pitiusas, veneradas por espanhóis e italianos. Alugando uma bicicleta ou uma scooter, se pode fazer várias paradas necessárias em praias ainda mais deslumbrantes. Alguns dizem que Formentera lembra Cuba nos anos 60, não sei. O fato é que definitivamente ela é um potente colírio para os olhos. Em poucas horas se conhece inúmeras pessoas de todas as partes do mundo que largaram tudo para viver, ao menos, uma temporada por lá.
O difícil é voltar para a realidade depois de tudo isso!