quinta-feira, 30 de outubro de 2008


4h30 da manha. Hora de ir. A casa ainda cheia de gente, alguns copos vazios e todas as palavras ditas.
4h30 da manha. Hora de ir. O choro da Adri, a fantasia do Tino, as confissões da Bego, o poema do Marc, a tortilla da Bel, o telefonema do Manu , o choro da Marga, as compras da Montse, o presente do Andreas, o choro da Pi, o nó na garganta.
4h30 da manha. Hora de ir. A Adri carregando uma das malas, a janela aberta, o burrico cai pelo vão da porta, a casa bagunçada e a árvore d´agua se desmancha pelo ar.
O taxi parte e eles correm detrás dele. Entre gritos e todas aquelas mãos tão amigas que acenam.
É. São 4h30 da manha e é hora de ir.
Hola bonica!
Com estàs? Tot bé pel país de la música més dolça? Segur que et cuiden molt bé.
No sabria ben bé dir-te on sóc, sincerament. Per variar estic fet un caos de sentiments força potent, però això ja no és cap novetat.
Dissabte passat vam punxar tota la nit a Caldes, va ser molt guapo, es va omplir tot de gent que va ballar fins les 5 de la matinada i va anar molt bé a la barra, però et vaig trobar molt a faltar. No sé per què va ser precíssament dissabte, però vaig començar a sentir com si em faltés un tros i et vaig enyorar molt...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

trucar a casa, recollir les fotos, pagar la multa

Tan cert
com que tu i jo som altres
Tan cert
com que no hi ha res més
Tan clar
com que la nit ens espera
Tan clar
com que no ho fa per tothom
Tan breu
com qui no espera resposta
Tan breu
com qui sap el què diu
Ara
i aquí
t'estimo...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008


Sábia Rita Lee que já dizia que amor é um e sexo é dois. Fico aqui pensando com meus botões porque é tão difícil encontrar um amor recíproco. Você conhece alguém maravilhoso que se apaixona por você e simplesmente seu coração resolve não bater mais rápido pelo dito cujo.
Neste caso o chatíssimo senso comum adoraria repetir que ¨mulher gosta de homem que dá o famoso chega pra lá ou até mesmo daquele que não presta¨. Isso não é verdade. Tenho que admitir que muitas mulheres são realmente assim, mas existe o segundo grupo, do qual me considero parte, que gosta de homens que enxergam e que nos dão o devido valor. Agora a questão é que o frio na barriga, a ansiedade de encontrar, aquele sentimento que nos ¨vuelve locos¨ é vivido só, lá dentro, e não será necessariamente correspondido. Admiro pessoas que conseguem sair de um relacionamento antes que ela própria ou o amigo colorido ou namorado pegue aquele tremendo bode da relação. É como ir embora de uma festa incrível as quatro da manha. Ir embora as duas deixaria aquela sensação do que podia ter sido e não foi. Mas também ir as sete ou oito, quando já está todo mundo bêbado, jogado e vomitado num canto é para matar. É a coragem? Quando a coisa é boa mesmo dá vontade de grudar os dois pezinhos no chão e gritar ¨daqui eu não saio, daqui ninguém me tira¨. Mas a verdade é que tira sim e acaba sendo da pior maneira. Afinal, algo pra valer realmente a pena tem que ter um valor parecido para as duas pessoas envolvidas. Se não, o barco fica sem contrapeso e afunda.
¨Eu escuto aquela música e me lembro de Afonso. Penso em nós dois juntos. Penso em tudo que vivemos, nas praias e cidades que conhecemos, nas possibilidades que ele trouxe para dentro da minha vida. Me incomoda o fato de saber que ele, nessa nova vida, também pensa em mim, mas com muito mais tranqüilidade. O coração dele não aperta de saudades como o meu. Impossível. Porque é difícil admitir, mas se sentíssemos a mesma coisa existiriam mais histórias, mesmo que o final fosse esse. Ou talvez ele simplesmente esteja nessa fase, uma fase chata de querer ser uma figura avulsa para ser colada em todos os álbum do mundo¨
Vidas de Candice, Margalida Casas

domingo, 12 de outubro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A sensação de viver em outro lugar é como se Deus nos permitisse mais uma vez a dádiva da vida e todas as suas possibilidades.
- E quem é vc? Me pergunta uma moça que acabo de conhecer.
Neste momento sinto como se estivesse tomando um banho de chuva em um dia quente de verão. Me refresca, me engrandecesse. Este é o passe, a palavra mágica que nos libera e nos permite que sejamos tudo e qualquer coisa que quisermos. Posso ser o meu melhor, posso mostrar a luz que explode dentro de mim. Não existem julgamentos, não existe o passado. Tudo é o presente, é o aqui, o agora e você pode construir e dar vida a um novo eu. O cronometro zera, as luzes se apagam e começa um novo filme.
Mas existe algo mais. Além do seu novo eu, existe uma nova pessoa a sua frente que também ganha essa possibilidade. Ela possui também a chave para mostrar todos os seus encantos. Da onde ela veio? Como surgiram todos os seus medos, como ela aprendeu a dançar tão bem? Ela pode ser o oposto ou tudo que você imagina.
Sim, eu quero fazer vários rascunhos mesmo sabendo que cada um deles é um Eu escrito e tatuado na minha e na sua vida. Eu quero ser um sonho lembrando, um amor vivido, um momento onde o coração dispara em um novo cenário com outros cheiros em um contesto inimaginável. Eu quero ser um ¨tum¨de um batimento cardíaco, eu quero existir nos momentos verticais que invadem nossa vida e se vão com essa mesma intensidade.
E aqui e agora eu sou.

Sevilla: cheiro de vinho branco, som de trote de cavalo, carro antigo, conversa afiada, cozinha bagunçada, mochila nas costas.
Granada: esconderijos, chás, suflê de queijo com jamón, homem das cavernas, o toque de cada sonho que começa e a despedida.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Alhambra


¨Dale limosna mujer que no hay en la vida nada como la pena de ser ciego en Granada¨

Francisco A. Icaza

terça-feira, 7 de outubro de 2008


Não entendo o extremismo. Como não entendo o nazismo, fascismo ou comunismo. Qualquer um deles está vedado por um preconceito cego e sem fundamento. Se sou algo em minha totalidade é porque não posso ou não suporto algo que esta do lado oposto da circunferência. O extremista não dança, não escuta a musica que o vento sopra em nossos ouvidos. Não deixa as casualidades da vida sussurrarem novos horizontes porque ele já está fadado a sua irritante certeza, que inevitavelmente lhe levará ao fracasso de uma visão curta e seletiva. Quem diz que tem algo em contra as minorias não entende a maravilhosa dádiva de não pertencer a essa massa de soldados que marcham como cópias uns dos outros por insegurança de ser algo além, algo singular.
Por favor, não me diga seus preconceitos, não quero escutá-los. Ou eu terei que ser o homem bomba que vai explodir os seus valores.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

2 anos, parece ontem. Por: fefe tão amada


Minha maluca predileta
Sinto muito a sua falta. As vezes fico pensando: "o que será que ela ta fazendo agora enquanto penso nela?". Mas por mais que imagine, não me cabe devagar.
Sua realidade, borboleta, é sempre mais fértil que minha imaginação. Sei que hoje você vive um mundinho de contas de fadas que cabe perfeitamente com a sua liberdade. Cheio de purpurina, raios de sol e musica ao vento.
Escutando Beatles penso em você, Borboleta, e fico maluca de saudades.
È, existem momentos que só se vive com vc.
Andei precisando de seus conselhos. Sabe aqueles conselhos que são mais impulsos do que conselhos. Aqueles conselhos para certos momentos que vc já sabe por onde vagar, já não quer saber do direito, mas precisa de uma canhota em meio a destros só pra apoiar a decisão de seguir pelo lado torto livre e feliz? Então.... apesar do mundo politicamente direito em que vivemos e os muitos conselhos também politicamente direitos que recebi. Descobri que tenho um pedacinho fada seu em mim que disse no meu ouvido... "vai fefe, o caminho é só seu e a vida é uma só, seja fiel a si" e fiz, como vc faria como vc me diria. Acho que vc ficaria orgulhosa de mim ahahahaha
Foi ai que descobri que apesar de tão diferentes, temos a delicadeza essencial muito parecida e talvez esteja ai a nossa ligação. E por ser essencial, e por ser delicada e por ser vital, hj me sinto segura. Seremos amigas para sempre. Nesse tempo e em todos. Hoje te entendo mais e me sinto mais próxima de vc.
Aproveite tudo que Barcelona preparou tds esses anos só esperando vc chegar
te amo muuuuuito
saudades
FE

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Mallorquins del meu cor













Mallorquins del meu cor

Posso dizer que por causa deles minha vida por aqui teve outro rumo e, com certeza, mais sentido.

Pq as pessoas únicas não merecem menos que todos os melhores momentos. E eu dou a eles muitos dos mais bonitos que tenho nesta terra. Ter conhecido a cada um deles foi um dos presentes que ganhei da Catalunya.
Pessoas de verdade, histórias para a vida inteira.
Obrigada

E viva Maiorca!

Castellers

déjà vu de mim mesma, adoro!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008


¨o amor entre mulheres é um refúgio e uma fuga para a harmonia. No amor entre homem e mulher existe resistência e conflito. Duas mulheres não se julgam, não se violentam, nem encontram algo para ridicularizar. Elas se entregam ao sentimento, à compreensão mútua, ao romantismo. Tal amor é a morte, admito¨.

¨Eu o deixei ler minha carta para June, e ele encontrou alívio em saber. As melhores mentiras são as meias verdades. Eu lhe conto as meias-verdades¨
¨Estou feliz com o hoje então entretenho-me imaginando tristezas¨

Henry & June, diário não-expurgados de Anaïs Nin

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Fútbol, futebol, fussball, soccer, e por ai vai..


Quem mora perto do Estádio do Morumbi, do nosso querido estádio do São Paulo Futebol Clube sabe o que é nascer escutando o eeeôôôÔ EEeôôôÔôô da galera. Lembro-me uma vez quando era pequena que resolvi gritar um ¨tricolor¨ de dentro da minha casa enquanto passava um ônibos cheio de corinthianos na rua. Foram latas e mais latas voando para dentro da varanda, uma loucura. Já na faculdade entrei para o time oficial, como reserva claro, afinal eu parecia mais um bambi saltitando pela quadra do que uma verdadeira jogadora como aspirava ser.
Meu melhor amigo, tricolor rooooxxxooooo, também teve sua contribuição para que esse amor continuasse florescendo dentro de mim. Como era sócio, me levava a cada jogo para ver o nosso time ganhar de goleada. Depois, já nos últimos anos da Universidade era um outro amigo muito querido que me arrastava ao Morumbi, e que acabou me apelidando de pé frio (é, acho que a combinação Rafinha – Carol não trouxe muita sorte para nosso amado time) mas nem por isso deixávamos de ir juntos, rostinho colado no meio da ¨arquibancada para sentir mais emoção¨, como diriam por ai.
Mas daí para virar jornalista especializada no ramo havia um longo caminho que eu nem pensava em trilhar. Imagina só escrever todo o tempo de futebol? Não era para mim não. Mas quem disse que murphy perdoa este tipo de comentário? Ele esta ali, obviamente esperando um passe mal feito da minha parte para entrar e marcar seu gol.
Na redação geralmente fazemos duas rodagens. Eu, toda espevitada, já queria fazer o mais variado número de temas possíveis, um para cada sabor e cor do dia. Foi ai que com ar ingênuo aceitei o que não teria como dizer não: o papel impresso de uma notícia de esportes na minha mesa com uma frase muito carinhosa da minha chefe que dizia algo como, ¨vai que é sua Carol!¨
Depois disso parece que tudo estava premeditado: o responsável de esportes de Madrid resolveu elogiar minha matéria e assim minhas duas reportagens diárias se tornaram uma, com a outra obrigatoriamente no Camp Nou. O que no começo foram suspiros meus pelo elogio que me fizeram, acabaram se tornando milhares de ligações da central de Madrid.
- Vc conseguiu falar com o Messi? E o Laporta, falou algo da moção de censura? Quê???? Você não sabe quem é o Bojan? Fica esperta que o Guardiola vai dar uma declaração SUPER importante e não podemos perder. Quando vi eu tava lá, empurrando segurança, jogador e câmera de qualquer emissora da concorrência para arrancar uma frasezinha chocha do Silvinho e fazendo uma mapa esquematizado de todos os passos do Eto´o.
Curioso é que em nenhuma outra sessão que estive os jornalistas variam tão pouco. São sempre os mesmo que estão lá, sofrendo por cada decisão dos técnicos e cada partido. É uma turma expert no assunto sem tempo ruim para minhas milhares de perguntas, que com certeza soavam como básicas para eles.
Por fim, o David responsável pela sessão de esportes em Barcelona voltou de seus infinitos dias de férias. Me deu um tapinha nas costas e disse:
-Ta viva brasileira?
- Estou David. Ainda mais porque você voltou. Mas.... pensando bem...posso cobrir o primeiro jogo da Champions quarta-feira que vem?
Que nada, ele é que ta morto de saudades da turma.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

delícias de Costa Brava


Não foi a toa que Dalí escolheu essa cidade para viver. Cadaqués. Aos pés dos Pirineus, ali, quase na França. É a parada final da chamada Costa Brava. Desde que cheguei aqui fui fazendo pouco a pouco o litoral norte espanhol. Cada vez que sobrava um tempinho lá íamos nós, uma praia por vez , sem pressa, mas sem deixar de subir mais e mais. Até que chegamos lá, tão linda, como eu imaginava.
O fantástico é imaginar que esta cadeia de montanhas impressionante separa a França da Espanha. Algo com esta força, só pode ter ajudado a que cada país ficasse do seu lado da cordilheira. Imagino aqueles batalhões na época medieval tentando atravessar essa imensidão que parece chegar ao céu. As tropas francesas escondidas, estas mesmas ajudando aos espanhóis a encurralar os catalães... que loucura. Nossa geografia teve tanta influência nas conquistas, nos povos que nasceram e desapareceram na história.
Dizem que é da província de Girona (a província ao lado de Barcelona, onde está Cadaqués) que vem o catalão mais puro. O sotaque é muito peculiar, mais aberto, na minha opinião um charme. A região é cheia de franceses, como acontece em toda a Catalunha, e com muita gente local, bem típico, uma preciosidade.
A noite de sábado estava iluminada por uma lua imensa e cheia. Ficamos ao lado da igreja admirando o mar, os barquinhos, o barulho gostoso das pessoas passando lá embaixo entre as casas e as pequenas ruas. E essa lua linda e grande que parecia estar tão perto de nós. A forma com que ela influencia o mar... e é claro que não poderia interferir menos em nossos corpos que também são água. É como se o sol, o dia, fosse para decidir o que fazer, e a lua, a noite, para pensar e refletir se o que estamos fazendo é o que realmente queremos. De noite os sentimentos afloram e tudo de mais primitivo e oculto parece sair, como a dama da noite que exala seu cheiro mágico pelo ar.
Nesta região é grande o número de praias nas quais se pode praticar o nudismo. Sempre tive uma admiração profunda pelos europeus e sua relação com o sexo. Algo desprovido de más intenções, natural, sem aquela obsessão brasileira pelo sexy todo o tempo. Parece que as pessoas são mais reais aqui em relação a esse tipo de coisa. Elas são sensuais na hora que tem que ser, sem passar todo o tempo na neurose, pensando na celulite, na estria, na barriguinha ou na depilação perfeita. Eles são mais humanos ou pelo menos parecem ter menos problema com o fato de sermos assim, cheios de imperfeições perfeitas que nos fazem únicos e tão parte do mundo e da natureza. É uma sensação de liberdade, de ser o que é. Isso não tem preço. Uma pena que em nossa cultura esteja tão enraizado essa malicia sem fim em tudo que fazemos. Poderíamos olhar as mulheres com mais realismo, seria tão mais fácil e bonito pra nós... quantas mentes neuróticas, operadas e traumatizadas iríamos salvar?
Deixei a Costa Brava com a sensação de fim de verão. Na entrada de Barcelona já se notava o amarelo das arvores e algumas folhas secas correndo pelas ruas. O sol era intenso, mas o vento fresco não escondia. É.. estamos nos últimos suspiros antes da próxima fase do vermelho, do marrom e do aconchego.